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Bem Vindo(a), Jornalista Responsável: Gessica Souza DRT/MS 0001526

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Mulheres chefiam quase metade das famílias de MS e ampliam espaço nos negócios

13 set 2026 00:02:48

| Política

Mulheres chefiam quase metade das famílias de MS e ampliam espaço nos negócios


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No Governo Riedel, elas já lideram 42% das empresas no Estado: políticas de creche, educação integral, habitação e empreendedorismo se somam a novas ações

Quase metade das famílias de Mato Grosso do Sul é chefiada por mulheres, que também lideram 42% das empresas. O governador Eduardo Riedel, candidato à reeleição, relaciona esse avanço à necessidade de reduzir a sobrecarga feminina com ações de creche, educação integral, qualificação, habitação e empreendedorismo. Na proteção contra a violência, o Estado aposta no Recomeço, atendimento imediato às vítimas, monitoramento de agressores e prevenção nas escolas.

Conciliar trabalho, cuidado dos filhos, administração da casa e, muitas vezes, a responsabilidade financeira por toda a família ainda faz parte da rotina de milhares de mulheres em Mato Grosso do Sul. Quase metade das famílias do Estado já é chefiada por elas e as mulheres também ocupam hoje a liderança de 42% das empresas, números que ajudam a dimensionar uma transformação que avança tanto dentro de casa quanto no mercado de trabalho.

O governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, associa esse crescimento a um desafio que vai além da abertura de oportunidades profissionais: reduzir a sobrecarga que ainda recai principalmente sobre as mulheres.

“Quem é que aguentaria uma jornada tripla, às vezes, quádrupla, todo santo dia? Em muitos lares, a responsabilidade inteira está na mão das mulheres”, afirmou. Para o governador, políticas de educação, qualificação, apoio às famílias e proteção social precisam funcionar de maneira articulada para que trabalho e autonomia não representem apenas mais uma tarefa acumulada na rotina feminina.

Entre as iniciativas citadas por Riedel estão o Vale Creche, a ampliação das escolas de tempo integral e programas de qualificação profissional. A lógica é permitir que a presença feminina no mercado de trabalho caminhe ao lado de estruturas capazes de dividir parte das responsabilidades que historicamente ficaram concentradas sobre as mulheres.

Moradia, trabalho e empreendedorismo ampliam caminhos para autonomia

A diretora-presidente da Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul (Agehab-MS), Maria do Carmo Avesani, chama atenção para uma dimensão frequentemente associada à independência econômica, mas que começa dentro de casa: o direito à moradia adequada.

“As mulheres que sustentam seus filhos, muitas são mulheres chefes de família”, afirmou. Para ela, habitação e desenvolvimento urbano estão diretamente relacionados a outros direitos fundamentais. “Eu acho que não tem como você consolidar muitas políticas se você não tiver habitação adequada.”

A ampliação da presença feminina também alcança setores tradicionalmente ocupados por homens. A secretária especial de Parcerias Estratégicas de Mato Grosso do Sul, Eliane Detoni, aponta a infraestrutura como exemplo dessa mudança.

“Hoje, na área de infraestrutura, que predominantemente sempre foi uma área muito masculina, eu acho que a gente evoluiu muito. Então, de fato, eu olho para o futuro aonde seremos realmente muitas”, disse.

No setor privado, a reitora de centro universitário Neca Bumlai relaciona o crescimento econômico do Estado à abertura de novos espaços para mulheres nas empresas e no mercado de trabalho. “A gente vê todo o investimento que tem sido feito no nosso Estado, que ele tem crescido de forma acelerada e junto com ele cresce a liderança das mulheres nas empresas e no mercado de trabalho”, afirmou.

A diretora técnica do Sebrae-MS, Sandra Amarilha, destaca especialmente o empreendedorismo como instrumento de independência. Segundo ela, 35 instituições, com participação do Governo do Estado, atuam conjuntamente para criar um ambiente de negócios mais favorável às mulheres.

“O empreendedorismo feminino é uma ferramenta poderosa de autonomia”, resumiu.

A participação feminina também alcança os espaços de representação política. A senadora Tereza Cristina afirmou que a valorização das mulheres está entre as prioridades de sua trajetória pública e lembrou ter sido a senadora mais votada da história do Estado. “O desenvolvimento do nosso Estado passa pelas mãos de mulheres extraordinárias”, declarou.

Proteção começa no primeiro pedido de ajuda

O avanço profissional e econômico, entretanto, convive com uma realidade muito mais dura: a violência doméstica e familiar. Riedel afirma que o enfrentamento desse problema é prioridade e reconhece que cada feminicídio representa uma falha coletiva da rede de proteção.

“Sempre que um feminicídio acontece, significa que toda a rede de proteção falhou. O município, o Estado, o Governo Federal e o Judiciário”, afirmou.

Para a delegada Fernanda Barros, o atendimento na delegacia pode ser decisivo justamente porque, muitas vezes, é ali que ocorre o primeiro pedido de socorro.

“A mulher, quando procura a delegacia, que geralmente é o local onde ela procura o seu primeiro atendimento, precisa se sentir protegida e ser verdadeiramente protegida”, disse. Ela defende uma atuação imediata, inclusive com deslocamento até o local da agressão quando houver possibilidade de prisão em flagrante, para evitar que a vítima deixe o atendimento ainda exposta ao agressor.

Uma das iniciativas voltadas às mulheres em situação de violência é o programa Recomeço. A secretária de Estado Patrícia Cozzolino explica que mulheres acolhidas em casas-abrigo por estarem sob risco de morte recebem atendimento psicológico e médico, enquanto os filhos têm acesso à escola e acompanhamento pedagógico.

A proposta é preparar a família para deixar a estrutura de acolhimento e reconstruir a própria vida. “Ela escolhe o imóvel, o Estado auxilia essa mulher na locação e paga um salário mínimo por mês durante um ano, para que essa família verdadeiramente quebre o ciclo da violência”, explicou Cozzolino.

Tornozeleira para o agressor e prevenção nas escolas

Riedel sustenta que a proteção não pode se limitar ao acolhimento depois da agressão. Segundo o governador, cerca de 80% das agressões e abusos acontecem dentro de casa ou no próprio ambiente familiar, justamente onde a presença direta do poder público encontra mais obstáculos.

Diante desse cenário, ele defende o remodelamento do sistema de proteção e aponta duas frentes adicionais. A primeira está no controle direto dos autores da violência.

“A primeira é meter a tornozeleira no pé do agressor. A tolerância é zero”, afirmou.

A segunda passa pela prevenção. O governador defende levar a discussão sobre violência, preconceito e desigualdade para dentro das escolas, com o objetivo de modificar comportamentos antes que eles se reproduzam nas novas gerações.

Para Riedel, a permanência das mulheres na escola e no mercado de trabalho também precisa ser tratada como parte dessa agenda. “Cada vez que uma mulher desiste de estudar ou trabalhar, presenciamos uma injustiça que não dá para normalizar.”

A combinação de autonomia econômica, acesso à moradia, redes de cuidado e proteção contra a violência revela, assim, diferentes faces de um mesmo desafio. A presença crescente das mulheres na chefia das famílias, nas empresas e em áreas antes predominantemente masculinas amplia seu protagonismo em Mato Grosso do Sul. Ao mesmo tempo, aumenta a responsabilidade do poder público de criar condições para que essa conquista não venha acompanhada de jornadas cada vez mais pesadas ou da permanência de ciclos de violência dentro de casa.

Assecom

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