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Bem Vindo(a), Jornalista Responsável: Gessica Souza DRT/MS 0001526
28 set 2026 20:05:33
| Cidades

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A nova processadora de soja da Copasul, em Naviraí, receberá mais de R$ 1 bilhão e terá capacidade para processar cerca de 1 milhão de toneladas por ano. A gestão de Eduardo Riedel apoia a industrialização por meio do Procoop, incentivos e infraestrutura. Para produtores como Henrique Hoerlle, a fábrica amplia mercados; para trabalhadores como Agustín Chavez, abre perspectivas de qualificação, carreira e estabilidade no interior.
Quando deixou Rosario, na Argentina, e se mudou para Naviraí, em 2022, Agustín Cesar Chavez já carregava uma trajetória profissional construída entre manutenção de embarcações e transporte de cargas. Foi na indústria, porém, que o eletricista encontrou a possibilidade de construir uma carreira de longo prazo — e hoje se prepara para uma nova etapa profissional ligada à processadora de soja que está sendo erguida no município.
“Vejo que a indústria oferece muitas oportunidades para quem quer crescer. É um ambiente em que, com dedicação e esforço, é possível aprender coisas novas, conquistar novas funções e construir uma carreira”, afirma. Agustín estuda para ampliar os conhecimentos como eletricista e já participou, na Argentina, de treinamento específico para a operação da nova unidade, preparação para uma futura função na área de eletromecânica.
É justamente esse tipo de emprego industrial que está no centro da estratégia defendida pelo governador Eduardo Riedel (Progressistas) – candidato à reeleição – de fazer Mato Grosso do Sul avançar além da produção de matérias-primas. Em Naviraí, a nova Unidade Industrial de Processamento de Soja da Copasul deverá transformar dentro do Estado parte do grão que hoje deixa as lavouras para ser processado fora.
A planta receberá investimento superior a R$ 1 bilhão e terá capacidade para processar 3 mil toneladas de soja por dia, aproximadamente 1 milhão de toneladas por ano. O início das operações está previsto para o primeiro trimestre de 2027.
“Quando a soja é processada no Estado, surgem empregos industriais, laboratórios, oficinas, transportadoras, serviços de manutenção e fornecedores. Em vez de vender apenas o grão, Mato Grosso do Sul passa a comercializar produtos de maior valor”, afirma Riedel, pré-candidato à reeleição.
Da lavoura para a indústria
Instalada em uma área de 115 hectares às margens da BR-163, ao lado da fecularia da Copasul, a nova unidade deverá produzir anualmente 742,5 mil toneladas de farelo de soja, 188 mil toneladas de óleo degomado bruto e 25 mil toneladas de casca peletizada.
O óleo poderá abastecer refinarias de alimentos e fábricas de biodiesel. O farelo terá como destino a fabricação de rações para aves, suínos e bovinos, enquanto a casca peletizada também poderá ser usada na alimentação animal.
A proposta é alongar, dentro do próprio Estado, uma cadeia que começa na lavoura e pode alcançar diferentes setores: soja, indústria, óleo, farelo, ração, criação animal, frigoríficos e mercado consumidor.
Esse movimento ganha escala diante do tamanho da produção agrícola sul-mato-grossense. Na safra 2024/2025, Mato Grosso do Sul produziu aproximadamente 14,06 milhões de toneladas de soja, cultivadas em 4,525 milhões de hectares.
Com a entrada da nova indústria, a capacidade estadual de processamento deverá crescer cerca de 20%, passando de 14,5 mil para 17,5 mil toneladas por dia.
Para o produtor, um novo destino para a safra
Em Juti, onde cultiva soja e milho há cerca de 12 anos, o produtor Henrique Hoerlle acompanha a construção da esmagadora sob outra perspectiva: a de quem precisa decidir, safra após safra, onde e em que condições comercializar a produção.
Cooperado da Copasul, ele afirma que a organização oferece vantagens como melhores condições para a compra de insumos, prazos mais adequados, segurança nas negociações, proximidade no atendimento e maior flexibilidade em renegociações.
Para Henrique, a nova indústria acrescentará uma alternativa de comercialização dentro de Mato Grosso do Sul.
“Com a Copasul iniciando a operação da esmagadora de soja, teremos uma nova alternativa para destinar nossa produção, agregando valor dentro do próprio Estado e fortalecendo toda a cadeia produtiva”, afirma.
Segundo ele, o processamento mais próximo do produtor tende a reduzir custos logísticos e facilitar o escoamento em determinadas situações de mercado. A expectativa também é ampliar as possibilidades de venda, inclusive de grãos que estejam fora do padrão de exportação.
Henrique acredita ainda que o empreendimento poderá fortalecer financeiramente a cooperativa, ampliar sua capacidade de investimento e repercutir nos municípios onde ela atua, com novas oportunidades de negócios e geração de empregos.
Uma indústria abastecida por várias regiões
A esmagadora não dependerá apenas da soja produzida em Naviraí. Para assegurar matéria-prima ao longo do ano, a Copasul concluiu um ciclo de aproximadamente R$ 400 milhões em ampliação de armazéns e unidades de recebimento.
A capacidade de armazenagem da cooperativa chegou a 15,6 milhões de sacas em 11 municípios, incluindo o complexo Silos Serra, em Maracaju, com capacidade para 900 mil sacas.
Com isso, a soja de diferentes regiões poderá ser recebida, armazenada e encaminhada à indústria, conectando produtores do Cone Sul, da Grande Dourados e de outros municípios agrícolas.
A Copasul reúne mais de 2,4 mil cooperados. Fundada em Naviraí em 1978, já atua na industrialização da mandioca e do algodão por meio de fecularia e unidades de fiação. A planta de soja amplia essa estrutura para integrar produção agrícola, armazenagem, processamento e comercialização.
Empregos além da porteira
A transformação da soja não termina nos produtos que saem da fábrica. A atividade industrial demanda transporte, energia, manutenção, análises laboratoriais, serviços ambientais, equipamentos e trabalhadores com diferentes formações.
Durante a construção, o empreendimento reunia mais de 300 trabalhadores em agosto de 2025. A projeção é alcançar até 1,5 mil empregos diretos e indiretos durante a implantação. Depois da inauguração, a unidade deverá manter aproximadamente 150 postos diretos, além das oportunidades ligadas à logística e aos serviços.
Entre as funções necessárias estarão operadores, mecânicos, eletricistas, técnicos em automação e profissionais das áreas de laboratório, logística, segurança do trabalho e controle ambiental.
São ocupações diferentes das predominantes no plantio e na colheita, o que torna a qualificação profissional parte do desafio. Naviraí conta com IFMS, universidades e instituições do Sistema S, e a formação dos trabalhadores será importante para permitir que moradores da região disputem as vagas e construam carreiras industriais no interior.
A trajetória que acompanha a nova fábrica
É nesse cenário que a história de Agustín ganha outra dimensão.
Desde que ingressou na empresa, em 2022, o eletricista se destacou na área de fiação e passou a ser acompanhado pela liderança como um profissional com potencial para crescer internamente. O treinamento realizado na Argentina para a processadora de soja faz parte dessa preparação.
“Continuo buscando me qualificar. Estou estudando mais sobre minha área como eletricista para ampliar minhas oportunidades profissionais. Acredito que aprender nunca é tempo perdido e que todo conhecimento abre novas portas”, diz.
O objetivo, conta, é conquistar mais estabilidade financeira e qualidade de vida para a família. “Quero crescer profissionalmente, assumir novos desafios e evoluir sempre.”
A experiência do eletricista antecipa uma das questões que acompanharão a implantação da fábrica: se os postos criados pela industrialização também permitirão que trabalhadores formados na própria região avancem profissionalmente.
Cooperativismo e política industrial
A fábrica pertence a uma cooperativa formada por produtores e amplia um modelo no qual a própria organização avança do recebimento e da comercialização para o processamento da produção.
Na gestão Riedel, o Governo de Mato Grosso do Sul utiliza o Procoop — Programa Estadual de Desenvolvimento e Fortalecimento do Cooperativismo para apoiar iniciativas de expansão, armazenagem e industrialização. O Estado também oferece incentivos fiscais, infraestrutura e articulação institucional para empreendimentos que agreguem valor à produção local.
“O Estado não constrói nem administra a fábrica, mas cria condições para que cooperativas e empresas transformem a produção dentro de Mato Grosso do Sul”, afirma o governador.
O financiamento do empreendimento também envolve o Governo Federal. O BNDES aprovou R$ 800 milhões para a indústria, enquanto outras instituições participaram da expansão da armazenagem.
Durante visita ao canteiro, Riedel definiu a unidade como parte de uma estratégia que combina produção agrícola, armazenagem, logística, energia, formação profissional e transformação industrial.
Segundo o governador, a fábrica resulta da atuação conjunta da cooperativa, dos produtores, das instituições financiadoras e das empresas envolvidas na obra. Ao Estado, afirmou, cabe oferecer previsibilidade, incentivos, infraestrutura e articulação para que os efeitos cheguem à economia regional.
Do farelo à proteína animal
Um desses efeitos poderá surgir na integração com outras cadeias já presentes em Mato Grosso do Sul.
O farelo de soja produzido em Naviraí poderá ser utilizado na alimentação de aves, suínos e bovinos. O município e o Cone Sul já possuem frigoríficos, criação animal, fábricas de amido, comércio agrícola e transportadoras.
Com a soja sendo processada na região, a produção poderá reforçar a conexão entre lavoura, ração e proteína animal.
“A integração também pode reduzir distâncias e custos. Em vez de transportar soja para outro estado e depois trazer farelo para alimentar animais em Mato Grosso do Sul, parte desse circuito ocorrerá dentro do próprio território”, afirma Riedel.
Para o produtor Henrique Hoerlle, a mudança significa ganhar uma nova possibilidade de destino para aquilo que sai da lavoura. Para Agustín, pode significar algo ainda mais concreto: uma nova função, mais qualificação e a possibilidade de avançar na carreira sem deixar Naviraí.
Quando a processadora começar a funcionar, a soja continuará sendo cultivada na mesma terra. Uma parte dela, porém, poderá seguir outro caminho antes de cruzar as divisas do Estado: será transformada em óleo, farelo e insumo para outras atividades — enquanto trabalhadores como Agustín se preparam para ocupar os novos espaços que surgem ao redor dessa transformação.
Foto: Bruno Rezende
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