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Bem Vindo(a), Jornalista Responsável: Gessica Souza DRT/MS 0001526

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Nova industrialização mira fazer bilhões circularem na economia local

30 ago 2026 23:29:13

| Política

Nova industrialização mira fazer bilhões circularem na economia local


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Plano de Eduardo Riedel liga atração de investimentos ao fortalecimento de fornecedores locais, à inovação e à geração de empregos em Mato Grosso do Sul

O plano de Eduardo Riedel parte dos mais de R$ 81 bilhões em investimentos privados atraídos desde 2023 para propor uma nova etapa da industrialização. A estratégia busca ampliar empregos, inovação e produtividade, garantir a participação de fornecedores locais e fortalecer micro, pequenas e médias empresas. O objetivo é fazer com que os grandes projetos movimentem cadeias econômicas dentro de Mato Grosso do Sul e cheguem ao cotidiano de trabalhadores e empreendedores

Um investimento anunciado em bilhões de reais ainda é apenas uma cifra distante para quem procura emprego, administra uma pequena empresa ou tenta conquistar espaço como fornecedor. Ele começa a ganhar sentido cotidiano quando abre uma vaga de trabalho, contrata um serviço local, movimenta o comércio, exige profissionais qualificados e permite que empresas sul-mato-grossenses participem de cadeias produtivas antes concentradas fora do Estado.

É nessa passagem dos grandes projetos para a economia que funciona ao redor deles que o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, situa a próxima etapa da industrialização de Mato Grosso do Sul. Depois de um ciclo marcado pela atração de empreendimentos de grande porte, a proposta para 2027 a 2030 procura ampliar o efeito desses investimentos sobre trabalhadores, fornecedores e empresas locais.

A questão central já não se resume, portanto, ao volume de capital anunciado. O desafio será fazer com que as novas plantas industriais, os polos produtivos e a expansão dos serviços formem cadeias mais densas dentro do próprio Estado. Isso significa criar condições para que parte maior dos equipamentos, insumos, soluções tecnológicas e serviços demandados pelos grandes empreendimentos seja fornecida por empresas sul-mato-grossenses.

Uma economia que mudou de escala

Os últimos anos foram marcados por mudanças na estrutura econômica estadual. O Produto Interno Bruto passou de R$ 91,9 bilhões em 2016 para R$ 184,4 bilhões em 2023. Naquele ano, Mato Grosso do Sul registrou crescimento de 13,4%, diante de uma média nacional de 3,2%, impulsionado pela diversificação produtiva e pela expansão da indústria de transformação.

Desde 2023, o Estado atraiu mais de R$ 81 bilhões em investimentos privados, concentrados principalmente em celulose, bioetanol, proteína animal e logística. Outros destaques foram a agroindustrialização e a mineração, atividades que passaram a ocupar lugar estratégico na economia estadual.

Esta transformação está ligada à passagem de uma economia predominantemente exportadora de matérias-primas para uma estrutura com maior presença industrial. A produção rural continua no centro dessa dinâmica, mas passa a alimentar cadeias que envolvem processamento, energia, transporte, tecnologia, comércio e serviços.

Mato Grosso do Sul alcançou a liderança nacional no crescimento da indústria de transformação. No último ano considerado pelo Plano de Governo, foram criados mais de 19 mil empregos formais, distribuídos entre construção, serviços, indústria, comércio e agropecuária. Mais de 500 mil qualificações profissionais foram realizadas em três anos, enquanto a Funtrab expandiu sua presença aos 79 municípios.

Esses indicadores ajudam a dimensionar o ciclo econômico, mas não se encerram em si. Para Riedel, a continuidade desse processo depende de aproximar a expansão industrial da formação profissional, da inclusão produtiva e da geração de renda.

“A competitividade não se limita à capacidade de atrair uma fábrica: precisa alcançar as pessoas que poderão trabalhar nela e as empresas que poderão fornecer para ela”, afirma.

O elo dos fornecedores locais

A principal mudança proposta para o próximo mandato está no adensamento das cadeias produtivas. O plano pretende continuar atraindo investimentos industriais e de serviços, mas acrescenta um compromisso específico: fortalecer cadeias estratégicas locais e garantir a participação de fornecedores do próprio Estado.

Essa diretriz altera o foco da política econômica. Em vez de observar apenas a chegada de grandes empreendimentos, a próxima etapa deverá olhar também para a rede que se forma ao redor deles. Uma indústria necessita de manutenção, transporte, alimentação, segurança, tecnologia, construção, consultoria, equipamentos e uma extensa variedade de serviços.

“Quanto maior for a participação das empresas locais nessas atividades, maior tende a ser a circulação interna dos recursos movimentados pelos novos projetos”, reflete o governador.

O plano propõe ainda estimular a produtividade das empresas, fortalecer programas de inovação industrial, ampliar a agregação de valor à produção, promover a internacionalização dos negócios sul-mato-grossenses e incentivar o surgimento de novos setores econômicos.

A intenção é fazer com que a industrialização produza uma base econômica mais diversificada. Isso envolve tanto os grandes polos de celulose, proteína animal, bioenergia e mineração quanto empresas menores capazes de atender às necessidades dessas cadeias, desenvolver produtos e disputar mercados dentro e fora do Estado.

Para Riedel, o crescimento pretendido entre 2027 e 2030 deverá combinar investimento, empreendedorismo, inovação e geração de emprego. A estratégia também liga agropecuária, agroindústria, indústria, comércio, serviços, turismo, bioeconomia e transformação digital, tratando esses setores como partes de uma mesma estrutura econômica.

A corrida contra a mudança tributária

O próximo ciclo ocorrerá em meio à implementação da Reforma Tributária. O Plano de Governo destaca que os incentivos fiscais começarão a ser progressivamente reduzidos a partir de 2029, até sua extinção prevista para 2032. Isso impõe ao Estado o desafio de preservar sua capacidade de atrair investimentos em um ambiente no qual os instrumentos utilizados até agora deverão ser substituídos.

A proposta de Riedel é conduzir uma adaptação estadual ao novo sistema tributário, reestruturar os programas de incentivo das cadeias agropecuárias e desenvolver mecanismos de competitividade compatíveis com as novas regras. O governo também pretende monitorar os impactos econômicos e fiscais da transição sobre os setores produtivos.

A política de atração de investimentos deverá ganhar instrumentos de acompanhamento dos efeitos econômicos, sociais e territoriais dos projetos considerados estratégicos. Essa previsão é importante porque desloca parte da atenção do simples anúncio para os resultados que os empreendimentos pretendem produzir ao longo de sua implantação.

A estratégia inclui ainda fortalecer a inteligência de mercado, prospectar novos investimentos, ampliar as exportações e identificar mercados para as empresas estaduais. O objetivo é manter Mato Grosso do Sul competitivo quando os incentivos tributários perderem espaço e fatores como produtividade, tecnologia, infraestrutura e segurança jurídica se tornarem ainda mais decisivos.

Espaço para empresas menores

O projeto para o futuro reserva uma parte dessa transformação às micro, pequenas e médias empresas. Entre as ações propostas estão o fortalecimento de sua competitividade, o estímulo à transformação digital e a criação de mecanismos permanentes para melhorar o ambiente de negócios.

O governo pretende digitalizar e integrar os principais serviços públicos destinados ao setor produtivo, além de reduzir o tempo necessário para abertura, licenciamento e regularização das empresas. A modernização busca diminuir barreiras que pesam especialmente sobre negócios menores, com estruturas mais limitadas para enfrentar processos burocráticos prolongados.

A proposta também procura aumentar a produtividade por meio de tecnologia e inovação. Essa preocupação aparece porque a competitividade futura dependerá menos da simples disponibilidade de recursos naturais e mais da capacidade de transformar conhecimento em produtos, serviços e processos eficientes.

No setor agroindustrial, o plano prevê ampliar a agregação de valor, incentivar a transformação de coprodutos e resíduos e atrair investimentos para cadeias emergentes. Também propõe ampliar programas de agroindustrialização destinados a associações e cooperativas da agricultura familiar, além de estimular pesquisa aplicada, conectividade e modernização tecnológica.

Essa articulação permite que a industrialização seja observada além dos grandes complexos produtivos. Ela alcança cooperativas, prestadores de serviços, empresas tecnológicas, produtores e empreendedores que poderão se inserir em diferentes pontos das cadeias econômicas.

O trabalho, porém, ainda não está concluído. A existência de grandes investimentos não assegura, por si só, que empresas locais conquistarão contratos ou que trabalhadores estarão preparados para as novas funções. “Por isso, nossa proposta reúne qualificação, inovação, produtividade, simplificação regulatória e participação de fornecedores como partes de uma mesma estratégia”, pontua o governador.

Ao assegurar espaço para empresas sul-mato-grossenses nas cadeias produtivas, Riedel pretende fazer com que os bilhões atraídos não permaneçam restritos às cifras dos anúncios. A industrialização deverá ser percebida no salário que entra em casa, no serviço contratado, na empresa que cresce e no trabalhador que encontra uma nova oportunidade.

É nessa economia que circula entre fábricas, propriedades, empresas, comércio e serviços que o crescimento pode deixar de ser apenas um indicador. Para quem vive do próprio trabalho ou mantém um negócio, a medida concreta da nova industrialização será a capacidade de transformar grandes investimentos em oportunidades próximas, duradouras e distribuídas pelo Estado.

Foto: Saul Schramm

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