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Bem Vindo(a), Jornalista Responsável: Gessica Souza DRT/MS 0001526

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Queda dos roubos abre novo ciclo da segurança em MS: furtos e feminicídios são os desafios

07 set 2026 14:30:17

| Política

Queda dos roubos abre novo ciclo da segurança em MS: furtos e feminicídios são os desafios


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Redução nos roubos e recuo da violência letal refletem estratégia baseada em policiamento, inteligência e integração: Governo Riedel estabelece metas até 2030 enquanto concentra esforços nos crimes que ainda resistem

Mato Grosso do Sul registrou queda nos roubos e redução da violência letal, resultados percebidos por moradores e comerciantes que relatam maior presença policial. Sob a gestão de Eduardo Riedel, o Estado ampliou policiamento, inteligência, integração das forças e monitoramento de dados. O planejamento até 2030 estabelece novas metas, enquanto furtos e o aumento dos feminicídios estão entre os principais desafios da segurança pública.

José Luiz Kreutz acompanha a segurança pública de dois lugares diferentes de Campo Grande. Como presidente da Fundação de Rotarianos de Mato Grosso do Sul, observa o patrulhamento na região da Avenida Hiroshima, onde funciona a instituição. Como morador da área atendida pelo 11º Batalhão, percebe o trabalho policial também perto de casa.

A avaliação que faz nasce dessa experiência cotidiana. “Posso confirmar o bom patrulhamento que está sendo desenvolvido nesta região. Posso falar também sobre o trabalho do 11º Batalhão, o qual responde pela região onde moro. Ano após ano a segurança vem melhorando”, afirma o empresário do ramo de consórcios.

É nesse espaço entre a estatística e a vida diária que os resultados da segurança pública se tornam perceptíveis. Em Mato Grosso do Sul, os roubos caíram 15,9% em 2025, passando de 3.130 para 2.631 ocorrências. Houve redução de 21,3% nos roubos ao comércio, 17,4% nos registrados em vias urbanas, 11,5% nos de veículos e 8,9% nos ocorridos em residências.

Os furtos também recuaram, mas em ritmo bem menor: foram 32.739 registros no ano, queda de 1,6% em relação aos 33.265 contabilizados em 2024. A diferença entre os dois indicadores ajuda a mostrar tanto os avanços quanto um dos principais desafios do próximo ciclo da política estadual de segurança.

Sob a gestão do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, a estratégia combina presença policial, reorganização territorial, inteligência, renovação de equipamentos, análise de dados e integração das forças de segurança na Capital, no interior e na fronteira.

Menos violência e maior capacidade de resposta

A redução dos crimes patrimoniais violentos ocorre paralelamente à queda da violência letal apontada pelo Atlas da Violência 2026. O estudo estimou 566 homicídios em Mato Grosso do Sul em 2024, ante 602 no ano anterior, redução de 6%. A taxa ficou em aproximadamente 20 mortes por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional de 23,4.

O desempenho coincide com medidas como ampliação dos setores de policiamento em Campo Grande, fortalecimento do Batalhão Rural, operações integradas na fronteira, formação de novos policiais, renovação da frota e ampliação do uso de videomonitoramento e análise de dados.

Na condução de Riedel, essas ações passaram a integrar um planejamento de longo prazo. “A proposta é acompanhar indicadores, reforçar as medidas que produzem resultado e corrigir a atuação nos pontos em que a criminalidade permanece resistente”, afirma o governador.

O secretário-executivo da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), coronel Wagner Ferreira da Silva, explica que esse acompanhamento precisa considerar as características particulares de cada crime.

“Esses crimes exigem estratégias diferentes porque possuem motivações, dinâmicas e ambientes operacionais completamente distintos. São fenômenos sociais totalmente distintos”, afirma.

Segundo ele, roubos e furtos estão associados principalmente a oportunidades no ambiente urbano, enquanto os homicídios envolvem circunstâncias mais diversas.

“Enquanto o roubo e o furto são crimes patrimoniais de oportunidade urbana, os homicídios estão relacionados aos conflitos interpessoais e domésticos, impulsividade e motivos fúteis, e criminalidade organizada e mercados ilícitos”, explica.

O desafio dos crimes cotidianos

Se os roubos tiveram queda expressiva, os furtos mostram maior resistência. Celulares, cabos, máquinas, equipamentos e objetos retirados de veículos e residências fazem parte de uma modalidade criminosa frequentemente dispersa pelo território e sem contato direto entre autor e vítima.

Isso exige uma resposta que vá além do patrulhamento ostensivo. Investigação, identificação de reincidentes, monitoramento territorial e combate à receptação passam a ter peso maior. Enquanto houver mercado para a revenda de cobre, celulares, peças e equipamentos de origem criminosa, o furto continuará oferecendo retorno para quem pratica o delito.

A estratégia passa, portanto, por ampliar aos furtos mecanismos de inteligência já empregados no enfrentamento de roubos, tráfico e crime organizado, identificando locais, horários, objetos mais visados e canais de comercialização.

Kreutz chama atenção para outro elo dessa cadeia: o próprio registro da ocorrência.

“Muitas pessoas se queixam de pequenos furtos, porém sempre digo: se não registra boletim de ocorrência, não tem como o poder público registrar o problema no mapa da mancha criminal”, afirma.

Para ele, a participação da população também influencia a capacidade de resposta do Estado. “Todos nós somos responsáveis pela segurança pública. Precisamos caminhar lado a lado para que os resultados sejam satisfatórios.”

Dados para orientar a ação policial

Para tornar as decisões mais precisas, a Sejusp passou a contar também com um Observatório de Segurança Pública, criado para aprofundar a análise das informações produzidas pelas forças policiais.

“A recente instituição de um Observatório de Segurança Pública, no âmbito da Sejusp, tem servido para uma análise quantitativa e qualitativa destes dados”, destaca Wagner Ferreira da Silva.

Segundo o secretário-executivo, o objetivo não é apenas acumular estatísticas, mas combiná-las com a experiência dos profissionais e a percepção sobre o território.

“Isso nos permite inserir nas análises muito da expertise policial, da sensibilidade do analista e da percepção da sociedade, ampliando a capacidade de monitorar a realidade e ajustar as estratégias de prevenção e repressão ainda em curso”, acrescenta.

A Sejusp também trabalha com um Planejamento Estratégico e com o Plano Estadual de Segurança Pública e Defesa Social, ambos com horizonte até 2030 e acompanhamento periódico de indicadores e metas.

“Estas ferramentas balizam as estratégias adotadas e nos dão um panorama do aperfeiçoamento das estruturas e funcionamento da segurança pública, entregando à sociedade ordem e paz”, afirma o coronel.

Violência contra as mulheres exige resposta específica

A evolução positiva observada nos roubos e homicídios gerais, entretanto, não se repetiu na violência contra as mulheres. Mato Grosso do Sul registrou alta nos índices de feminicídios.

Este tipo de violência não diminui automaticamente com mais patrulhamento nas ruas. Grande parte dos casos ocorre dentro das relações domésticas e exige acompanhamento de medidas protetivas, atendimento especializado e articulação entre segurança pública, saúde, assistência social, Ministério Público e Justiça.

O Plano Estadual de Segurança Pública estabelece como meta reduzir a taxa de feminicídios para 2,32 vítimas por 100 mil mulheres até 2030.

Reconhecer a persistência do problema delimita uma das áreas em que o Estado terá de concentrar esforços. “Não há balanço completo quando a melhora das ruas ainda não alcança com a mesma força o interior das casas”, afirma Riedel.

Metas para além de um mandato

O planejamento estadual estabelece outros parâmetros para 2030. Entre eles está a redução da taxa de homicídios para 15,95 por 100 mil habitantes e das mortes no trânsito para 8,9 por 100 mil.

O Plano Estratégico Organizacional 2025–2030 reúne objetivos relacionados à gestão, inteligência, tecnologia, formação, valorização profissional e redução da criminalidade. Enquanto o Plano Estadual estabelece os resultados pretendidos para a população, o planejamento organizacional procura definir como as instituições devem atuar para alcançá-los.

Em abril de 2026, a Sejusp instalou um comitê executivo destinado a acompanhar projetos, identificar problemas operacionais e monitorar o Contrato de Objetivos firmado com as instituições vinculadas à pasta.

Para Riedel, estabelecer indicadores permite que os resultados sejam acompanhados independentemente do calendário eleitoral. “Permite que a política ultrapasse um mandato e seja avaliada pelo que conseguiu entregar, pelo que permanece em andamento e pelo que precisará ser corrigido”, afirma.

Medir também o que acontece depois do crime

A própria evolução da política de segurança abre espaço para uma cobrança mais sofisticada sobre os resultados. Saber quantos crimes aconteceram continua sendo fundamental, mas outros indicadores ajudam a mostrar o que ocorre depois que a vítima chama o Estado.

Tempo de chegada de uma viatura, crimes esclarecidos, bens recuperados e reincidência dos autores são exemplos de informações capazes de medir não apenas a estrutura disponível, mas a eficácia da resposta.

Na fronteira, a mesma lógica vale para o combate ao crime organizado. A quantidade de drogas apreendidas mede parte da atuação, enquanto prisões de lideranças, bloqueio de patrimônio, identificação de fluxos financeiros e desarticulação de organizações ajudam a revelar o impacto produzido sobre as estruturas criminosas.

Mato Grosso do Sul chega a esse novo ciclo com menos roubos e homicídios, maior integração entre as forças policiais e um planejamento estabelecido até 2030. Ao mesmo tempo, furtos e feminicídios mostram que parte da criminalidade continua exigindo respostas específicas.

Para quem vive essa realidade do lado de fora dos gabinetes, como José Luiz Kreutz, os indicadores encontram sua tradução mais simples no que acontece na rua onde se trabalha ou no bairro onde se mora. A segurança melhora quando o cidadão percebe a presença do Estado — e também quando aquilo que ainda não funciona aparece no mapa, é registrado, medido e transformado em ação.

Assecom

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