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Bem Vindo(a), Jornalista Responsável: Gessica Souza DRT/MS 0001526

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Saúde de MS amplia rede estadual, telemedicina e cirurgias e prepara nova etapa de regionalização

20 ago 2026 22:07:31

| Política

Saúde de MS amplia rede estadual, telemedicina e cirurgias e prepara nova etapa de regionalização


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A saúde pública de Mato Grosso do Sul ampliou sua capacidade com mais leitos, cirurgias, telemedicina e entrega domiciliar de medicamentos, enquanto prepara novas policlínicas e hospitais regionais. O governador Eduardo Riedel, candidato à reeleição, defende consolidar uma rede mais próxima da população, apoiada na parceria com municípios e iniciativa privada. A estratégia busca reduzir filas, evitar deslocamentos desnecessários e ampliar a qualidade do atendimento nos 79 municípios.

Mato Grosso do Sul atravessa uma mudança na organização de sua rede pública de saúde. Nos últimos quatro anos, o Estado ampliou sua participação na gestão hospitalar, multiplicou os atendimentos por telemedicina, aumentou a oferta de cirurgias e leitos do Sistema Único de Saúde (SUS), expandiu a entrega domiciliar de medicamentos e reforçou o financiamento das unidades municipais. A estratégia procura construir uma rede mais regionalizada, capaz de aproximar serviços especializados da população e reduzir a necessidade de deslocamentos para os grandes centros.

O governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, define esse conjunto de mudanças como uma “nova arquitetura da saúde”, estruturada a partir da atuação conjunta do Governo do Estado, municípios e iniciativa privada.

Embora destaque os resultados obtidos, Riedel reconhece que a consolidação do modelo ainda depende de enfrentar gargalos históricos da assistência pública.

“Não se faz um projeto de saúde sem parcerias. Por isso, nosso trabalho conjunto com os municípios e a iniciativa privada.

Esta nova arquitetura da saúde está avançando e precisamos consolidar este modelo, mas sabemos que temos grandes desafios pela frente que vamos enfrentar. Nosso foco é atender e cuidar das pessoas da melhor maneira possível”, afirmou.

Durante encontro com gestores e profissionais da área, realizado na quarta-feira (19), o governador voltou a colocar a eficiência na utilização dos recursos e a ampliação da capacidade assistencial entre os pontos centrais da estratégia.

Uma das mudanças apontadas por Riedel é o crescimento da presença direta do Estado na estrutura hospitalar. Segundo ele, Mato Grosso do Sul, que anteriormente contava com apenas um hospital sob gestão estadual, deverá chegar em breve a cinco unidades administradas pelo Governo.

“Nosso projeto da saúde é fazer com que o Estado tenha um atendimento adequado a todos os sul-mato-grossenses”, afirmou o governador, ao defender também uma melhor aplicação dos recursos destinados ao setor.

Telemedicina muda escala do atendimento

Os números apresentados pelo secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, ajudam a dimensionar a transformação ocorrida em algumas áreas da rede.

Entre os indicadores destacados está a mortalidade infantil, cujo índice recuou de 13,65, em 2023, para 12,71, em 2025.

Paralelamente, uma das expansões mais acentuadas ocorreu na saúde digital.

Os atendimentos realizados por meio de telemedicina e teleassistência passaram de 21.709, em 2022, para 112.058 no ano passado. Na prática, o volume tornou-se mais de cinco vezes superior ao registrado no início do período.

O avanço tem importância particular em um Estado marcado por grandes distâncias entre os municípios e pela concentração de determinadas especialidades médicas nos maiores centros urbanos. A consulta à distância permite que parte dessa demanda seja resolvida sem que o paciente precise percorrer centenas de quilômetros em busca de atendimento especializado.

“Vários municípios já conseguiram reduzir fila de especialidades em função deste modelo. O cidadão tem o atendimento adequado disponível. Este modelo cresce de forma substancial”, afirmou Simões.

A expansão tecnológica, entretanto, é apenas uma das frentes utilizadas para enfrentar as filas acumuladas no sistema.

Cirurgias, exames e ortopedia

Criado para ampliar a realização de procedimentos represados, o programa MS Saúde contabiliza 43.564 cirurgias eletivas e de alta complexidade, além de 99.497 procedimentos e 55.888 exames diagnósticos realizados.

Outra estratégia foi a implantação do chamado “Cinturão da Ortopedia”. Atualmente, 21 hospitais integram a rede destinada à realização de cirurgias ortopédicas, com incentivos financeiros estaduais para aumentar a capacidade de atendimento. Os investimentos destinados à iniciativa chegam a quase R$ 200 milhões.

A lógica é descentralizar procedimentos que anteriormente estavam concentrados em poucas unidades, utilizando hospitais de diferentes regiões como pontos de atendimento. Dessa maneira, além de ampliar a oferta, o Estado procura diminuir deslocamentos e aliviar a pressão sobre hospitais que tradicionalmente absorvem pacientes de vários municípios.

A disponibilidade de leitos do SUS também aumentou. Segundo os dados apresentados no encontro, eram 232 leitos em 2022. Atualmente, são 664 — expansão de 186%.

O crescimento da estrutura física é acompanhado por uma mudança no modelo de financiamento das unidades municipais.

O Governo do Estado passou a vincular parte dos recursos transferidos à ampliação da produtividade, estabelecendo contrapartidas para que hospitais e serviços locais aumentem o número de pacientes atendidos.

A proposta busca fazer com que o financiamento público não esteja associado apenas à manutenção das estruturas existentes, mas também à capacidade efetiva de prestação de serviços à população.

Medicamento chega à porta do paciente

Outra frente que ganhou escala é a entrega domiciliar de medicamentos.

Em 2022, o serviço beneficiava 610 pacientes. Neste ano, já são 17.863 pessoas atendidas. Mais de 130 medicamentos podem ser encaminhados diretamente à residência dos usuários contemplados pelo programa.

Além da comodidade, a medida tem impacto sobre a continuidade dos tratamentos, especialmente para pacientes que utilizam medicamentos regularmente e que, de outra forma, precisariam se deslocar periodicamente para buscar os produtos.

Ao levar o medicamento até a residência, a política procura eliminar uma etapa da jornada do paciente dentro do sistema público e reduzir dificuldades de acesso que podem comprometer a adesão ao tratamento.

Vacinação mantém Estado em posição de destaque

A cobertura vacinal é outro indicador apresentado pelo Governo como resultado da articulação entre Estado e municípios.

Mato Grosso do Sul ganhou projeção nacional nesse campo desde o período da pandemia e continua ocupando o primeiro lugar do País em cobertura vacinal, segundo os dados apresentados pela Secretaria Estadual de Saúde.

O modelo divide responsabilidades. O Estado oferece logística, suporte e estratégia, enquanto as prefeituras ficam diretamente responsáveis pela aplicação das vacinas junto à população.

Para ampliar o alcance das campanhas, foram criadas iniciativas destinadas a levar a imunização para fora das unidades convencionais. Entre elas estão os “vacimóveis”, veículos que percorrem bairros e municípios para facilitar o acesso às doses.

Em regiões onde as características geográficas impõem outro tipo de dificuldade, a estratégia também precisou ser adaptada. É o caso das comunidades ribeirinhas, atendidas por ações como o projeto “Navio”, concebido para levar serviços a populações que vivem em áreas de acesso mais complexo.

Atenção Primária entra em nova fase

Se ampliar a cobertura foi uma das prioridades do período recente, o próximo desafio, segundo a Secretaria de Saúde, é fazer com que essa expansão venha acompanhada de maior qualidade e capacidade de resolução nas unidades básicas.

A Atenção Primária é a porta de entrada do cidadão no SUS. É nela que deveriam ser resolvidos os problemas de menor complexidade, realizado o acompanhamento contínuo dos pacientes e identificados precocemente os casos que precisam ser encaminhados para especialistas ou hospitais.

Segundo Maurício Simões, Mato Grosso do Sul já possui a melhor cobertura da região Centro-Oeste. O objetivo agora é reduzir diferenças na qualidade do serviço oferecido entre municípios e unidades.

“Temos hoje no Centro-Oeste a melhor cobertura, mas o maior desafio é levar qualidade, garantir que as unidades de todo o Estado tenham um padrão de atendimento e resolução”, afirmou o secretário.

A questão é estratégica para todo o sistema. Quanto maior a capacidade da Atenção Primária de solucionar demandas próximas da casa do cidadão, menor tende a ser a pressão sobre pronto-atendimentos, hospitais e especialidades médicas.

Novos hospitais, policlínicas e mais 200 leitos

A próxima etapa da expansão prevê novos investimentos na estrutura regional.

Estão programadas novas policlínicas, destinadas a ampliar a oferta de consultas, exames e especialidades fora do ambiente hospitalar. Também estão previstos mais 200 leitos para os hospitais regionais de Dourados e Três Lagoas.

Outro projeto anunciado é a criação do Hospital do Pantanal, em Corumbá, ampliando a estrutura de atendimento disponível para a população da região oeste do Estado.

Os investimentos aprofundam uma mudança no desenho da rede pública: em vez de concentrar serviços de maior complexidade principalmente na Capital, a estratégia busca fortalecer estruturas regionais capazes de absorver uma parcela maior das demandas nos próprios territórios.

Municípios destacam parceria com Estado

O modelo de cooperação recebeu o reconhecimento de representantes municipais durante o encontro.

Secretário municipal de Saúde de Iguatemi e presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso do Sul (Cosems-MS), Janssen Portela Galhardo destacou a atuação estadual na qualificação da rede da Capital e do interior.

Ao mencionar os hospitais regionais e o Cinturão da Ortopedia, Galhardo afirmou que a ampliação dos serviços tem reflexos sobre o acesso dos moradores dos 79 municípios.

“Isso gera uma saúde mais acessível à população, mais dinâmica e entregando resultado para os 79 municípios”, afirmou.

A parceria com instituições especializadas também integra essa rede.

O presidente do Hospital do Câncer Alfredo Abrão, Hamilton Fernandes Alvarenga, destacou o apoio estadual à ampliação da unidade, referência no atendimento oncológico.

“O governador tem uma participação magnífica no hospital. Ele conhece o trabalho e a necessidade do investimento no tratamento contra câncer no Estado, sendo parceiro da gente de primeira hora desde o início. Sabemos que ele é sensível a esse serviço tão essencial”, afirmou.

O conjunto de medidas mostra que a reorganização da saúde em Mato Grosso do Sul ocorre em várias frentes ao mesmo tempo: da consulta realizada por uma tela ao medicamento entregue na residência; da ampliação das cirurgias ao aumento de leitos; da vacinação itinerante à construção de novos hospitais.

Os números indicam uma rede maior e mais diversificada do que a existente no início do período, mas a própria gestão reconhece que aumentar estruturas e serviços não encerra o desafio. A etapa seguinte será transformar essa expansão em maior capacidade de resolução, reduzir diferenças entre regiões e garantir que a nova arquitetura seja percebida onde o sistema de saúde efetivamente se encontra com o cidadão: no momento em que ele precisa de atendimento.

Fotos: Bruno Rezende

Assecom

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